Patologia do Concreto na Construção Civil: Do Diagnóstico à Recuperação Estrutural
- Novakem

- há 4 dias
- 4 min de leitura

Na engenharia diagnóstica, costumamos dizer que as estruturas "falam". Antes de um colapso ou de uma falha funcional grave, o concreto emite sinais claros de degradação.
Compreender a patologia do concreto na construção civil não é apenas uma questão de manutenção corretiva; é um imperativo de segurança, durabilidade e viabilidade econômica dos ativos imobiliários.
Neste artigo técnico, a Novakem aprofunda a discussão iniciada por grandes players do mercado para entregar uma visão analítica sobre as manifestações patológicas que mais afetam o desempenho das edificações brasileiras.
O Que é Patologia na Construção Civil?
O termo "patologia", emprestado da medicina, refere-se ao estudo das doenças. Na engenharia, trata-se da ciência que estuda a origem, os sintomas e a natureza das falhas em edificações. Segundo a NBR 15575 (Norma de Desempenho), uma edificação deve manter sua integridade e funcionalidade durante toda a sua Vida Útil de Projeto (VUP). Quando isso não ocorre, estamos diante de uma manifestação patológica.
As patologias podem comprometer desde a estética até a estabilidade global da estrutura. Dados do setor indicam que a correção de uma falha na fase de uso pode custar até 125 vezes mais do que se tivesse sido prevenida na fase de projeto (Lei de Sitter).

A Tríade das Causas: Onde o Problema Começa?
Embora muitas vezes a culpa recaia sobre o material, a literatura técnica e a prática de campo mostram que a patologia do concreto na construção civil é multifatorial.
Podemos categorizar as origens em três grandes grupos:
1. Falhas de Projeto (A Origem Silenciosa)
Erros de concepção são responsáveis por uma parcela significativa dos problemas. Isso inclui:
Detalhamento insuficiente de armaduras: Falta de previsão de fissuração por retração ou gradientes térmicos.
Especificação inadequada do fck: Ignorar a classe de agressividade ambiental (CAA) da NBR 6118, resultando em um concreto com porosidade incompatível com o meio.
Falta de compatibilização: Conflitos entre projetos estruturais e de instalações que geram cortes indevidos em vigas e lajes.
2. Erros de Execução e Materiais
A fase de obra é crítica. Problemas comuns incluem:
Cura deficiente: A falta de hidratação adequada nas primeiras idades gera um concreto poroso e permeável, porta de entrada para agentes agressivos.
Segregação e exsudação: Causadas por excesso de vibração ou traço mal calibrado (excesso de água/cimento).
Cobrimento insuficiente: O desrespeito aos espaçadores deixa a armadura exposta ao ataque de cloretos e carbonatação.
3. Uso e Manutenção Inadequados
Sobrecargas não previstas no projeto original e a falta de manutenção preventiva (limpeza de fachadas, revisão de impermeabilização) aceleram a degradação.
Principais Manifestações Patológicas do Concreto
Para um diagnóstico preciso, é fundamental diferenciar os sintomas. Abaixo, detalhamos as ocorrências mais críticas enfrentadas pelos engenheiros brasileiros.
Fissuras, Trincas e Rachaduras
São as manifestações mais visíveis. Tecnicamente, diferenciam-se pela abertura e atividade (ativas ou passivas).
Causa: Podem surgir por retração plástica (perda rápida de água), retração térmica (calor de hidratação), recalque de fundação ou sobrecarga.
Diagnóstico: O mapeamento deve identificar a direção e a profundidade. Fissuras a 45º em vigas, por exemplo, indicam cisalhamento e exigem intervenção imediata.

Corrosão de Armaduras
É a principal causa de deterioração de estruturas de concreto armado no mundo. Ocorre quando a camada passivadora do aço é destruída.
Carbonatação: O CO₂ da atmosfera penetra nos poros do concreto, reagindo com o hidróxido de cálcio e reduzindo o pH (de ~12,5 para < 9). Sem a alcalinidade, o aço corrói.
Ataque por Cloretos: Comum em zonas marinhas. Os íons cloreto penetram no concreto e atacam o aço de forma localizada (pites), sendo extremamente perigosos por não apresentarem sinais visíveis externos até estágios avançados.

Reação Álcali-Agregado (RAA)
Uma reação química expansiva entre os álcalis do cimento e certos minerais reativos presentes nos agregados.
Sintoma: Fissuração em forma de mapa (craquelado) e exsudação de um gel sílico-alcalino.
Impacto: Gera tensões internas que desintegram o concreto de dentro para fora.
Lixiviação e Eflorescência
A água percorre através do concreto, dissolvendo e transportando compostos (como o hidróxido de cálcio) para a superfície.
Consequência: Além da mancha branca estética (eflorescência), a lixiviação aumenta a porosidade do concreto, reduzindo sua resistência mecânica e durabilidade.
Prevenção e Terapia: A Abordagem Novakem
Combater a patologia do concreto na construção civil exige tecnologia. A prevenção começa na escolha de um concreto de baixa permeabilidade e alto desempenho, respeitando rigorosamente a relação água/cimento.
Para estruturas já afetadas, a terapia envolve:
Diagnóstico: Ensaios não destrutivos (esclerometria, ultrassom) e extração de testemunhos.
Tratamento do Aço: Limpeza mecânica e aplicação de inibidores de corrosão.
Recomposição: Uso de argamassas poliméricas ou grautes de alta resistência e baixa retração.
Proteção: Aplicação de sistemas de proteção superficial (hidrofugantes ou pinturas técnicas) para bloquear a entrada de novos agentes agressivos.
Conclusão
A durabilidade das nossas cidades depende da qualidade do nosso concreto e da seriedade com que tratamos suas patologias. Ignorar pequenos sinais hoje é contratar grandes prejuízos para amanhã.
Na Novakem, entendemos que cada obra é um organismo vivo. Nossas soluções são desenvolvidas para garantir que a estrutura não apenas resista, mas performance com excelência ao longo de décadas.



Comentários